Conselho Metropolitano do Porto "muito preocupado" com futuro da mobilidade

28 de Fevereiro de 2014
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O Conselho Metropolitano do Porto (CmP) vai solicitar “uma reunião urgente” ao secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, por estar “muito preocupado” com o futuro da mobilidade na Área Metropolitana do Porto (AMP).

O presidente daquele órgão, Hermínio Loureiro, afirmou hoje, em reunião do conselho – que se realizou na Casa de Gramido, em Gondomar - que o modelo de abertura à iniciativa privada do serviço público de transporte de passageiros na AMP, prevista num documento que se encontra em consulta pública, “é uma questão que preocupa, por um lado tendo em conta as decisões definidas no Plano Estratégico dos Transportes (PET) e por outro devido às responsabilidades que o CmP tem na empresa Metro do Porto”, por ser acionista com 40%. “Não vamos prescindir de exercer os nossos direitos” enquanto acionista da Metro, frisou o responsável, adiantando que a reunião com o secretário de Estado terá por objetivo “analisar questões que já se encontram em cima da mesa, mas também introduzir outras”.

Em causa está também a atual concessão da operação do Metro do Porto, que termina em dezembro. Hermínio Loureiro defende ser necessário “preparar as peças do próximo concurso público internacional” com tempo, de forma ponderada, “porque amanhã já é março”.

No final da reunião, em declarações aos jornalistas, Hermínio Loureiro precisou que as preocupações “não são só com o Metro, mas também com a Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP) e com a mobilidade, não só no Porto, mas nos concelhos limítrofes: Valongo, Gondomar, Maia e Matosinhos”. Em causa estará a possível concessão a privados das linhas da STCP que operam nestes concelhos.

“Há um documento que está em discussão pública, publicado no site do IMT, e há um conjunto de desafios e respostas que nos foram pedidos que de alguma forma nos preocupam”, sustentou o autarca de Oliveira de Azeméis.

Hermínio Loureiro afirmou que Sérgio Monteiro “tem demonstrado abertura em recolher opiniões dos autarcas” e que esta reunião visa “acelerar” de alguma forma o contacto com o governante, para que lhe possa ser manifestada toda “a apreensão” dos presidentes das câmaras.

Quanto à Metro do Porto, Hermínio Loureiro acrescentou ainda que os autarcas da AMP “têm demonstrado enorme responsabilidade nesta matéria” mas, quando se está a discutir os próximos fundos comunitários (2014-2020), é preciso colocar em cima da mesa a discussão da sua extensão e do seu financiamento.

“Temos a noção clara das questões relacionadas com o financiamento. Todos nós percebemos e ficamos satisfeitos que a Metro é das poucas empresas em Portugal que tem crescido, aumentado o número de clientes, o que demonstra o seu potencial”, disse, lembrando estudos que apontam que “o seu aumento pode ser superior se outros investimentos forem feitos”.

Hermínio Loureiro voltou a referir que a AMP pretende participar na consulta pública do documento relacionado com as infraestruturas de valor acrescentado, afirmando que está a ser preparado “um documento relativamente às mais-valias”.

Este documento será um trabalho no qual “o CmP se reveja, apontando aquilo que nós entendemos fundamental”, vincou. “Temos de estar muito atentos para atuar de forma ativa e não reativa”, defendeu Hermínio Loureiro. Os autarcas da Maia, Valongo Póvoa de Varzim e Gondomar consideraram fundamental esta discussão.

Marco Martins, Presidente da Câmara Municipal de Gondomar, disse mesmo que este é “um assunto demasiado grave”, entendendo que o documento em discussão pública relativo à AMP “não tem orientações sobre o que vai acontecer, nem diz o que vai acontecer à Autoridade Metropolitana dos Transportes”.

Aires Pereira, da Póvoa, e que representa o CmP no conselho de administração da Metro, considerou mesmo que se a empresa não tiver neste novo programa de fundos comunitários oportunidades de se estender, “com certeza que se irá atrasar o projeto mais 10 anos”. José Manuel Ribeiro, de Valongo, considerou que “em curso está um processo de privatização dos transportes do Porto e pouco ou nada” os autarcas da AMP poderão fazer.

Fonte: LUSA

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