A “gestão de dependências” na primeira das Conferências do 25 de Abril

17 de Abril de 2018
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“Cada um tem o seu 25 de Abril”, afirmou, ontem à noite, na Casa Branca de Gramido, em Valbom, José Adelino Maltez, o primeiro dos preletores das conferências das comemorações dos 44 anos do 25 de Abril organizadas pelo Município de Gondomar. “E o dia seguinte? Mário Soares, Cavaco Silva são os vencedores do 25 de Abril, mais Durão Barroso, Jorge Sampaio, Pedro Passos Coelho, António Costa, José Sócrates, Veiga Simão, todos eles foram vencedores da História”, sintetizou o professor catedrático no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa, para que tudo se resume a uma expressão em que Portugal, afinal, é mestre: “Gestão de dependências”.

No dia 25 de Abril de 1974 José Adelino Maltez estava em exames na faculdade em Coimbra, de onde é natural. A cadeira era Medicina Legal, “estávamos a fazer autópsias”, Maltez, Fernando Nogueira e José Luís Araújo, ex-Presidente da Câmara Municipal de Gondomar e pai do atual Vice-Presidente, Luís Filipe de Araújo, que só pelo final da tarde tomaram conhecimento dos acontecimentos em Lisboa.

Num estilo “desamarrado” – para utilizar uma expressão de Luís Filipe de Araújo na apresentação do conferencista – Adelino Maltez desfiou a sua interpretação da História concluindo que “temos em Portugal uma liberdade sob protetorado. Por exemplo, não temos presos políticos, nem políticos presos”, ao contrário do país vizinho. Mas isso deve-se, explicou o politólogo, a “um grande segredo” que Portugal conserva e cultiva como poucos, a “estabilidade da sua política internacional”. Segundo o conferencista, “a excelente classificação internacional que Portugal tem não se deve à sua produção, mas é fruto da excelente gestão de dependências”.

E como mantemos a independência? Tudo se deve, nas palavras de Adelino Maltez, a Almeida Garrett, que em 1830 explicou, como ninguém anteriormente, que “era absolutamente necessário gerir dependências” no seu livro “Portugal na Balança da Europa”. É o que temos feito, disse, de modo “excelente”.

Em síntese, o discurso de Adelino Maltez oscilou sobre “a nossa liberdade possível, dependente dos pratos da balança da Europa. Ou de como entre Garrett (1830) e a teoria de João Andrade Corvo (1870) houve a Convenção do Gramido (1847), com uma esquadra britânica na Foz do Douro e tropas espanholas ocupando o Porto, no caso a liberdade condicionada pelos Aliados...”

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