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Memória, crítica e esperança na sessão solene do 25 de Abril
publicado a 25 de abril de 2015

A memória de um tempo único na História de Portugal, a esperança que não morre e a crítica ao incumprimento dos sonhos de muitos. Foi assim hoje de manhã, no salão nobre da Câmara Municipal de Gondomar, durante a sessão solene que assinalou o 41.º aniversário do 25 de Abril de 1974.

A cerimónia, que contou com a presença de todos os atuais líderes políticos do Município, ficou marcada pela intervenção do Presidente da Assembleia Municipal, Aníbal Lira, que assumiu o “privilégio” de “recordar a data gloriosa do 25 de Abril de 1974”. E fê-lo recordando datas e factos marcantes da História Contemporânea, como a bomba de Hiroshima, em 1945, a agitação em África de povos colonizados, nos anos 1960, a revolução cultural chinesa de Mao-Tsé Tung, o Maio de 1968 em Paris, a vitória e o assassinato de Salvador Allende, nos primeiros tempos dos anos 1970, a queda do regime militar na Grécia, em 1974, e o fim da ditadura em Espanha, em 1975.

Tudo isto para, de seguida, Aníbal Lira concluir que, hoje, se podem “constatar duas realidades diferentes”, grandes progressos e de uma “mais valia considerável na vida das pessoas” para um lado, mas também “um passado recente” que traz muita preocupação, como o aumento do desemprego, o aprofundamento da corrupção, “os ricos que estão mais ricos e os pobres cada vez mais pobres”, os salários e as pensões em queda, o Serviço Nacional de Saúde posto em causa, a proteção dos idosos cada vez mais deficitária e os “idosos e crianças com fome”.

“Não foi, certamente, para este panorama que os ‘capitães de Abril’ fizeram a revolução dos cravos!”, rematou o Presidente da Assembleia Municipal de Gondomar, lançando um repto aos presentes: “A classe política nunca poderá ignorar o que de essencial o povo lhes exige”.

“Honrar Abril todos os dias”
Antes já tinha usado da palavra Marco Martins, Presidente da Câmara Municipal de Gondomar, que recordou os três D’s (descolonização, desenvolvimento e democratização) do Movimento das Forças Armadas para evocar o percurso do País nestes últimos 41 anos e homenageando aqueles que, durante décadas, combateram o anterior regime.

Mas é o “D” de democracia que preocupa Marco Martins, porque está “um pouco ferido de maturidade”, o que mostra que “temos ainda um trabalho longo e árduo caminho a percorrer” visto que “as instituições democráticas estão a perder soberania, estão a ser postas cada vez mais em risco”. Mas cabe a cada um de nós, disse o Presidente do Município, mudar o que é necessário para “preservar esse D” e “manter a esperança de dias melhores”.

Em Gondomar, sublinhou Marco Martins, “é essa esperança, essa vontade de mudar e de modernizar” que tem norteado a ação do Executivo, “apesar das dificuldades, nomeadamente, financeiras, honrar Abril todos os dias, com proximidade, com transparência, com abertura”. Tudo para que, “daqui a 41 anos, os que cá estiverem possam dizer que honrámos de Abril”, concluiu o Presidente da Câmara Municipal de Gondomar.

Presente e futuro
Na sessão solene que encheu por completo o salão nobre da Câmara Municipal discursaram, ainda, representantes dos grupos partidários representados na Assembleia Municipal.

Para Rui Nóvoa (Bloco de Esquerda) “hoje assistimos à destruição do Portugal europeu”, numa referência direta e explícita à atual situação política, económica e social vivida em Portugal, glosando, por fim, um poema de Manuel Alegre: “Há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não”.
Já Pedro Oliveira (CDS-PP) referiu que, neste momento, “Portugal ombreia com as melhores práticas internacionais”, antes de destacar que “o 25 de Abril é pertença de todos os portugueses”.

De igual crítico para com o atual Governo foi António Valpaços, claramente contra as "políticas de submissão", destacando que “Abril é do povo e que, portanto, se o Governo não está com o povo, o Governo está contra Abril”.

Já Idalina Pereira (PSD) pediu para “ousar sonhar com um país à imagem do 25 de Abril”, onde “o direito ao trabalho seja regra e não excepção”, “que a Justiça tenha mão pesada” com a corrupção e, sobretudo, “cada um se preocupe com o próximo da mesma forma como se preocupa consigo próprio”.

Ana Catarina Trigo (PS), que dedicou as suas palavras ao capitão Salgueiro Maia e ao seu camarada da secção de Ermesinde José Lobo, permitiu-se “reescrever as palavras que o azul apagou” e lavrou uma promessa firme: no caminho das promessas e das esperanças deixadas pelo 25 de Abril de 1974, “lutarei até ao fim como o capitão”.

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