Portal Institucional da Câmara Municipal de Gondomar

Votação do público pode dar distinção internacional à arquitetura de Gondomar
publicado a 21 de maro de 2016

Pelo segundo ano consecutivo, a arquitetura com origem em Gondomar foi nomeada para dois prémios internacionais de arquitetura. O trabalho desenvolvido na “Basho Sushi House” (junto à Câmara Municipal) pelo Gabinete de Paulo Merlini Arquitetura é finalista dos prémios da plataforma norte-americana online Architizer A+, nas categorias The Architizer A+Jury e Architizer A+Popular Choice.

Escolhido entre candidaturas provenientes de mais de uma centena de países, o projeto “Basho Sushi House” caracteriza-se por ser uma intervenção num espaço de pequena dimensão (25m2), uma fachada única virada para uma das ruas mais movimentadas da cidade de Gondomar (S. Cosme).

Os interessados na votação deverão clicar na ligação http://awards.architizer.com/public/voting/?cid=20, escolher o projeto, registar na plataforma (basta escolher a rede social pela qual o pretendam fazer), votar e confirmar a intenção. Quem sabe se Gondomar não sai vencedora!

O ano passado, o projeto “Confeitaria” desenvolvido para a “Gondodoce” pelos arquitetos Paulo Merlini e André Santos Silva foi distinguido com uma menção honrosa na BID’14 Bienal Ibero-americana de Desenho, na categoria Desenho de Espaços e Interiores.

Memória descritiva
“O espaço a intervir caracteriza-se pela sua pequena dimensão, apenas 25m2, uma fachada única virada para uma das ruas mais movimentadas da cidade.
Na organização espacial tivemos a preocupação de valorizar a preparação e transformação do peixe no produto final, uma arte em si. Para isso desenhamos um balcão exposto aos olhos do consumidor. Localizando-o no lado oposto à entrada transformamos o sushiman no protagonista de todo o espaço e garantimos uma relação bastante franca entre o cozinheiro e o cliente permitindo a interação entre os dois, e garantindo a confiança necessária a um público ainda estranho a este produto proveniente do outro lado do globo.

Todas as outras áreas necessárias à preparação do alimento localizam-se num pequeno nicho situado num dos lados do balcão, desaparecendo por trás de uma porta composta de ripas de madeira, que deixa adivinhar a silhueta dos outros intervenientes envolvidos na preparação do sushi, atribuindo uma certa mística ao espaço e a todo o ritual de preparação.

A área sobrante é destinado ao público. Ainda que confinados a 9m2 de área, a intenção foi a de criar um espaço de caracter forte e que remetesse o inconsciente do utilizador ao universo cultural nipónico. Para o conseguir sabíamos que teríamos de recorrer ao poder simbólico dos ícones.

Os símbolos são elementos e ideias que pela sua influência prevaleceram no tempo e enraizaram-se de tal forma numa determinada cultura, que se tornaram parte integrante da sua identidade. Por exemplo, se pensarmos numa baguete e num acordeão o cérebro fará uma associação automática a França e às suas cidades. Esse fenómeno acontece porque o cérebro organiza o pensamento através de um mecanismo de associação de conceitos. Empacota a informação em “pequenos sacos de informação” cosidos pela nossa experiência pessoal. Trata-se de um processo individual mas não intransmissível, já que todos vivemos num determinado contexto sociocultural que se rege pelas ideias, crenças e premissas defendidas e difundidas por outros antes de nós. A moral, a ética, a cultura e as tradições de um determinado país são resultado dessa acumulação. Algumas ideias pela sua relevância, persistem no tempo, acabando por ficar enraizados no pensamento coletivo, e em alguns casos transformam-se em símbolos identificativos de uma determinada cultura.

No exemplo acima os símbolos que nos remetem à imagem mental de França são a baguete e o acordeão. No caso da cultura nipónica tivemos de encontrar um símbolo que se tornasse tão imediatamente reconhecível como a baguete o é para França. Assim, associando essa vontade com o low-budjet disponibilizado para a criação do espaço, descobrimos que na base do próprio serviço de sushi se encontrava o elemento ideal para esse reconhecimento imediato. Que melhor ícone da gastronomia oriental do que os pauzinhos chineses?

Através desse elemento chave, de claro poder simbólico, conseguimos a tal lógica espaço/funcional clara e de uma forma bastante económica.
Para lhe atribuir a força necessária repetimos o elemento 8400 vezes. Ao longo de 9m2 de teto distribuímos 8400 pauzinhos chineses de forma uniforme, recriando a silhueta de um templo japonês, outro dos ícones do país. No entanto, sabendo o consumidor de hoje ávido por novidades não quisemos criar um espaço estagnado na sua forma inicial, permitindo a sua variabilidade ao longo do tempo. Assim, através de um sistema simples de suporte dos pauzinhos chineses transformamos o teto numa tela pixelizada tridimensional. Rapidamente, apenas através da deslocação dos pontos de apoio dos cabos de suporte, é possível transformar o espaço por completo.

A escolha da palete de cores deveu-se ao respeito pela estética tradicional japonesa, onde a sombra cumpre um papel primordial no equilíbrio e harmonias arquitetónicas. Para isso escolhemos para as paredes um tom escuro, de forma a garantir a absorção lumínica suficiente para equilibrar todo o espaço, e reforçando o potencial estético do teto”.

Fotos: João Morgado

Ao visitar este website, está a consentir a utilização de cookies.