A turma do 7.º A da Escola Básica À Beira Douro foi a vencedora do concurso literário “A Voz da Floresta: se a floresta pudesse falar, o que nos diria?”, promovido pelo Município de Gondomar, através do Serviço Municipal de Proteção Civil, no âmbito das comemorações do Dia Internacional da Floresta, assinalado hoje, 21 de março.
A iniciativa, dirigida aos alunos do 3.º ciclo do ensino básico do concelho, teve como principal objetivo sensibilizar os mais jovens para a importância da preservação da floresta, incentivando simultaneamente a reflexão sobre os riscos associados ao território florestal, nomeadamente os incêndios rurais, bem como a adoção de comportamentos responsáveis.
O concurso desafiou as turmas participantes a darem voz à floresta, através da criação de textos originais, em formato narrativo, poético ou carta, promovendo a criatividade, a expressão escrita e o trabalho colaborativo em contexto escolar, com o envolvimento dos docentes das disciplinas de Português e Ciências Naturais.
Após a análise dos trabalhos submetidos, o júri destacou o trabalho vencedor pela sua pertinência na mensagem ambiental, capacidade de sensibilização e qualidade da expressão, evidenciando uma reflexão consciente sobre a importância da preservação do património florestal.
Como reconhecimento, a turma vencedora será premiada com uma visita de estudo ao Centro Nacional de Sementes Florestais (CENASEF) e aos Viveiros Florestais, em Amarante, proporcionando uma experiência educativa em contacto direto com a realidade da gestão e preservação florestal.
Com esta iniciativa, o Município de Gondomar reforça o seu compromisso com a educação ambiental e a sensibilização das gerações mais jovens para a valorização e proteção da floresta.
Leia o texto vencedor abaixo.
Sou a floresta
Fui a floresta
Aquela que iluminava os dias
Aos animais na sua forma mais honesta
Tão pura para as aves, dando-lhes alegrias.
Fui a floresta
Que abrigava todas as flores na primavera
E para todos os seres vivos estava aberta
Como uma grande biblioteca.
Fui a floresta
A que as águas cristalinas corriam entre as colinas
E onde as forças da natureza eram unidas
Parecendo uma grande festa.
Mas, hoje, sou uma floresta
Que vê fogo e mão desonesta
As árvores caem, os animais fogem à pressa
E o meu verde tristemente desaparece.
Sou uma floresta, ferida e cansada
Sinto a terra queimar, fico calada
Tiram-me a sombra, o canto e o ninho
E deixa um vazio, sem rumo nem caminho.
Sou uma floresta, voz abafada
Vejo a minha raiz ser arrancada
Ouço um machado ferir o meu peito
E choro folhas num lamento desfeito.
Sou a floresta…