
António Ferreira de Castro nasceu em Valbom, a 2 de outubro de 1909, e cedo revelou uma inclinação natural para o desenho e a construção. Após concluir a escola primária, frequentou a Escola Industrial de Gondomar, uma instituição criada para formar profissionais qualificados nas áreas da marcenaria, talha e ourivesaria, fundamentais para a economia local. Foi aí que contactou com o desenho de arquitetura e de ornamento, disciplinas que despertaram definitivamente o seu interesse pela arquitetura.
O desejo de prosseguir estudos na Escola de Belas Artes do Porto acabou, porém, por não se concretizar, uma vez que o pai não prescindiu do seu contributo na oficina de marcenaria da família. Impedido de seguir um percurso académico formal, António Ferreira de Castro não desistiu: tornou-se autodidata, estudando e desenhando durante a noite, construindo passo a passo uma formação sólida fora dos circuitos oficiais.
Quando casou, em 1939, já exercia profissionalmente a atividade de arquiteto. Para garantir a estabilidade financeira da família, conciliou essa vocação com um cargo na Repartição de Aferição e Conferição de Pesos e Medidas da Câmara Municipal de Gondomar. Paralelamente, começou a receber as primeiras encomendas, num contexto favorável criado pela reorganização da atividade das padarias imposta pelo Instituto Nacional do Pão, fundado em 1936. Surgiram, assim, projetos de padarias em locais como Arouca, Vila da Feira, Valbom, Porto e Gondomar (São Cosme).
Entre o pós-guerra e a década de 1970, o crescimento económico da região gerou novas necessidades de equipamentos e edifícios públicos. António Ferreira de Castro respondeu a esse desafio com projetos como a Junta de Freguesia de São Cosme, o Grémio da Lavoura, o Salão Paroquial e as estações de camionagem de Ramalde, Medas e Melres. Ainda assim, foi na habitação que concentrou grande parte da sua atividade, destacando-se as moradias unifamiliares pela qualidade, diversidade e cuidado no detalhe, bem como edifícios de habitação coletiva, já nos anos 70.
A sua obra marcou de forma decisiva a imagem urbana de Valbom e Gondomar (São Cosme), onde ruas inteiras e vários edifícios públicos continuam a testemunhar o seu trabalho. Embora não possuísse o diploma oficial de arquiteto (o que o obrigava a recorrer a engenheiros para assinar os projetos), a sua linguagem arquitetónica é facilmente reconhecível: coberturas inclinadas em telha cerâmica com beirais horizontais, fachadas assimétricas e um cuidado especial no desenho dos espaços de entrada, recorrendo a cerâmica e madeiras de elevada qualidade.
António Ferreira de Castro faleceu em 1978, aos 69 anos, deixando uma obra coerente, identitária e profundamente enraizada no território, construída com talento, persistência e uma paixão pela arquitetura que nunca deixou de superar as limitações impostas pelas circunstâncias.