Câmara Municipal de Gondomar

Do século XVII aos dias de hoje: o que guarda o Arquivo Municipal de Gondomar?
publicado a 9 de Junho de 2026

Quando pensamos num arquivo, é comum imaginarmos estantes repletas de papéis antigos, caixas de documentos e livros esquecidos pelo tempo. Mas a realidade é bem diferente.

No Dia Internacional dos Arquivos, que se assinala hoje, dia 9, abrimos simbolicamente as portas do Arquivo Municipal de Gondomar para descobrir alguns dos documentos, histórias e curiosidades que ajudam a preservar a memória coletiva do concelho.
Entre milhares de registos guardados encontra-se um documento com mais de 330 anos. Trata-se do Livro da Confraria dos Defuntos da freguesia do Salvador de Fânzeres, datado de 1693, onde estão registadas deliberações, estatutos e outros elementos relacionados com a vida da confraria e da comunidade da época.

Mas este está longe de ser o único testemunho histórico preservado.
Entre os documentos que mais despertam a curiosidade de investigadores e visitantes encontram-se as antigas cédulas fiduciárias e os livros de atas que comprovam que Rio Tinto e São Pedro da Cova já foram concelhos autónomos. Estes registos ajudam a compreender a evolução administrativa e territorial da região ao longo dos séculos.

Os livros de atas das reuniões camarárias continuam, aliás, a ser algumas das fontes mais importantes para conhecer a história de Gondomar. É através deles que se acompanham decisões, acontecimentos e transformações que marcaram a vida do concelho ao longo do tempo.

Mas preservar a memória não significa apenas guardar documentos.
Por detrás de cada livro, fotografia, planta ou processo administrativo existe um trabalho técnico permanente, que começa muito antes de qualquer documento chegar às mãos de um investigador ou cidadão.

Receber, avaliar, organizar, classificar, higienizar, acondicionar, digitalizar e descrever documentalmente são apenas algumas das tarefas realizadas diariamente pela equipa do Arquivo Municipal. É um trabalho rigoroso, que garante não só a conservação física dos documentos, mas também a sua acessibilidade futura.

Muitas vezes, o aspeto menos conhecido deste trabalho passa precisamente pelas decisões que determinam o que deve ser preservado para as gerações futuras e o que pode ser eliminado, bem como pela crescente componente tecnológica associada à digitalização e à preservação digital da informação.

A conservação dos registos mais antigos exige ainda cuidados especializados. O controlo da temperatura e da humidade, a proteção contra a luz, a utilização de materiais de acondicionamento adequados e os trabalhos permanentes de limpeza, monitorização e restauro são fundamentais para garantir a longevidade deste património documental.

Paralelamente, o Arquivo Municipal tem vindo a apostar na divulgação e democratização do acesso à informação histórica. Desde 2020, disponibiliza o Arquivo Histórico Digital, uma plataforma online onde investigadores e cidadãos podem consultar centenas de documentos digitalizados relacionados com a história, o património e a identidade de Gondomar.

Ao longo dos últimos anos, foram também promovidas diversas exposições documentais dedicadas a temas como as alminhas, os lavadouros ou a empresa de transportes Gondomarense, iniciativas que aproximaram a comunidade do seu património documental e da sua história.

Mais do que um local de conservação, o Arquivo Municipal é um espaço de memória, conhecimento e cidadania. Um lugar onde se preservam não apenas documentos, mas também os testemunhos que ajudam a compreender quem fomos, quem somos e como o concelho foi sendo construído ao longo dos séculos.